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O Brasil precisa que Vinicius Junior seja a resposta a todas as suas orações

Está na forma como Vinicius Junior movimenta o tornozelo. O torque.

“Ele é um fenômeno na forma como usa isso”, observou o assistente técnico do Brasil, Francesco Mauri. “Ele não precisa finalizar muito o chute para gerar força. Depois de controlá-lo, depois de carregá-lo, ele não perde tempo em finalizar o chute. Ele usa o tornozelo e consegue posicionar e marcar. Já marcou tantos gols assim.”

Na MetLife de sábado, o Brasil precisava que Vini se apresentasse. Os objetivos sobre os quais Mauri falou no Crônicas de vestiário podcast eram, invariavelmente, para o Real Madrid, não para o seu país. Eles eram modeladores perfeitos, com equilíbrio e coordenação, culminando na glória na Liga dos Campeões contra o Liverpool em Paris e o Dortmund em Wembley. Quando, perguntavam-se os brasileiros, eles viriam para a Seleção?

Perdendo por um a zero e derrotado pelo Marrocos durante a primeira meia hora, todos olharam para Vini com mais esperança do que expectativa. Em 49 jogos pelo Brasil, o seu golo marcou de forma dissonante com a campanha da Bola de Ouro que o Real Madrid empreendeu em seu nome há apenas dois anos, quando uma delegação abandonou de forma infame a cerimónia em Paris ao saber que o médio Rodri, do Manchester City, seria anunciado como vencedor. Nove gols pela seleção nacional não é a contagem de um jogador que transforma times e dobra os torneios à sua vontade. Para contextualizar, era igual ao seu ex-companheiro de equipe no Real Madrid, Casemiro.

Às vésperas da estreia do Brasil na Copa do Mundo contra o Marrocos, um repórter formulou a seguinte pergunta: “Você já foi o melhor do mundo…” Vini poderia voltar ao assunto?

“Tudo o que quero”, disse ele, “é aproveitar ao máximo esta oportunidade e provar a todos que podemos ser campeões”. Mas o Brasil parecia tudo menos Nova Jersey. Para usar a frase de Achraf Hakimi, o Marrocos jogou como “afro-brasileiros”. Ayyoub Bouaddi esgueirou-se pelo meio-campo com toda a indiferença de um gato num souk. A equipe inteira ronronou. O delicado Brahim Diaz continuou de onde parou na Copa das Nações Africanas. Não com um pênalti terrível na final. Mas com uma série de toques decisivos como o passe para o gol inaugural de Ismael Saibari.

“Acredito que começamos muito mal”, disse Vinicius. “Sofremos aquele primeiro gol. Depois disso é muito difícil seguir em frente. Com certeza temos que segurar a bola e nos movimentar melhor. O adversário fez um contra-ataque muito rápido. Não há muito o que dizer agora. Temos que melhorar.”

A nomeação de Carlo Ancelotti pelo Brasil foi, em parte, planejada para tirar o melhor proveito de Vinicius. Foi sob a sua gestão em Madrid que o extremo de repente atingiu o seu potencial.

“Ancelotti sempre me faz sentir confiante”, disse Vinicius. “Porque ele me dá liberdade e confiança para fazer o que fiz no Real Madrid enquanto jogava pela seleção nacional. Terei a chance de mudar a história do nosso país ao lado dos outros jogadores.”

Infelizmente, parecia que nada havia mudado.

A fé na capacidade do Brasil de vencer a Copa do Mundo pela primeira vez desde 2002 foi imediatamente abalada pelo Marrocos. “Você não ganha uma Copa do Mundo com base no seu primeiro jogo”, disse Ancelotti para tranquilizá-lo.

Esta não é sua primeira Copa do Mundo nos Estados Unidos. Há 32 anos, Ancelotti atuou como assistente técnico da Itália quando a seleção italiana chegou à final em Pasadena e perdeu para o Brasil. Derrotada na estreia pela Irlanda, em Nova Iorque, a Itália perdeu um homem contra a Noruega e parecia desorganizada. Um jogador os arrastou para o Rose Bowl; Roberto Baggio.

Depois de todos esses anos, parece que Ancelotti precisa de Vinicius para assumir este torneio se o Brasil quiser ir longe. A sua equipa esteve, na sua opinião, “desequilibrada” e carente de “agressividade” na primeira parte. Só Vinicius deu uma chance a eles. Igor Thiago, atacante do Brentford, cabeceou ao lado. Os chutes de Raphinha foram bloqueados ou direto no goleiro. Vinicius assumiu a responsabilidade de empatar. Ele se aproximou. Soltado por trás, ele cortou para dentro e lá estava; que tornozelo, o torque, o canto superior. O goleiro marroquino não teve chance para Bono.

(Simon Stacpoole/impedimento/impedimento via Getty Images)

Na contínua ausência de seu ídolo Neymar, cabe a ele dar vida à ideia que todos temos do Brasil. A aura com a qual eles brincavam ainda está perdida.

Ele pode ajudá-los a encontrá-lo novamente? “Ele se saiu bem”, disse Ancelotti. “Ele era muito perigoso e acho que tem tudo ao seu alcance para fazer uma grande Copa do Mundo.”

Como o Brasil precisa muito dele para vencer esta competição pela sexta vez.

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