Nas arquibancadas dos Emirados para a segunda mão das semifinais da Liga dos Campeões do Arsenal estava o técnico do Los Angeles Rams, Sean McVay.
Uma das vantagens de trabalhar para uma franquia da Kroenke Sports and Entertainment são as oportunidades de polinização cruzada entre equipes de diferentes esportes.
Além do Arsenal, os Kroenkes são donos do Rams, do Denver Nuggets na NBA e do Colorado Avalanches na NHL. Presumivelmente, McVay queria ver se conseguia aprender algo com a forma como o Arsenal joga, assim como Mikel Arteta fez em suas visitas aos EUA.
Ao encerrar uma seca de 22 anos pelo título da Premier League, Josh Kroenke revelou como foi sentar-se ao lado de Arteta enquanto assistia aos Rams e ao Avalanche.
“Lembro-me de uma conversa há alguns anos”, Kroenke disse. “Já tínhamos nossa equipe preparada e eles estavam trabalhando muito, mas Mikel estava olhando para um jogo da NFL e ele simplesmente o detalhou de uma forma que eu nunca tinha ouvido antes. Ele disse: ‘Cada jogada é uma bola parada. Cada jogada é coreografada’. Você podia vê-lo entrando nesse modo. ‘Como podemos aplicar isso (ao que fazemos)?'”
O Arsenal marcou 41 por cento dos seus gols em lances de bola parada nesta temporada. Nicolas Jover, o especialista responsável por eles na comissão técnica do Arteta, teve até um mural dedicado a ele. Não é de surpreender que a vantagem que o Arsenal encontrou neste aspecto do jogo tenha levado cada vez mais equipes a dar cada vez mais ênfase às situações de bola parada.
Em Morristown, Nova Jersey, os jogadores do Brasil foram fotografados praticando suas próprias rotinas de escanteio antes da estreia da Copa do Mundo, no sábado, contra o Marrocos, no MetLife.
Alguns deles usavam pulseiras isso será familiar para os fãs da NFL. Eram os mesmos manuais vestíveis que você vê os zagueiros consultando no grupo.
⚠️🇧🇷 É ASSIM QUE USAM PULSEIRAS NO BRASIL.
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-Sudanalytics (@sudanalytics_) 13 de junho de 2026
A marcar antes do cruzamento estava Gabriel Magalhães, defesa-central do Arsenal e internacional brasileiro, que se tornou um dos jogadores mais temidos nestas situações na Premier League. O jogador de 28 anos marcou três gols em lances de bola parada nesta temporada; dois de escanteio e outro de falta indireta.
Em uma Copa do Mundo, quando se espera que o calor diminua a capacidade das equipes de jogar e treinar com intensidade, um manual eficaz de lances de bola parada pode ser a diferença entre vencer ou não o torneio.
“As bolas paradas são uma estratégia importante”, disse o técnico do Brasil, Carlo Ancelotti, na véspera do jogo com o Marrocos. “Estatisticamente, 30 por cento dos gols vêm de pênaltis ou lances de bola parada. Temos ótimos cobradores de bola parada e ótimos cabeceamentos de bola.
“É uma grande oportunidade para nós. Temos treinado muito nisso nos últimos dias e a equipe está muito focada nisso. Esperamos poder fazer algo acontecer.”
Os jogadores do Brasil não poderão usar as pulseiras durante o jogo. Eles devem guardar na memória o manual elaborado pelo filho de Ancelotti, Davide, e Francesco Mauri, filho de um dos ex-adjuntos de Ancelotti.
Como se a bolsa estourou nesta Copa do Mundo ainda não fazia o jogo parecer um esporte americano dividido em quartos em vez de metades, a atenção dada às ‘jogadas’ cuidadosamente coreografadas desde o início só contribui para isso.
O crossover só parece estar se intensificando. O técnico do Boston Celtics, Joe Mazzulla, falou sobre o quanto aprendeu sobre espaçamento e transições defensivas ao assistir o Manchester City.
“Eu estudo muito Pep (Guardiola). Acho que ele é o melhor treinador em qualquer nível, em qualquer esporte”, Mazzulla disse. “Isso teve uma grande influência (em mim).”
No documentário You Have No F***ing Idea, Luis Enrique, treinador do Paris Saint-Germain, vencedor consecutivo da Liga dos Campeões, expressou seu desejo de ser microfone para seus jogadores durante um jogo, assim como um treinador principal ou um coordenador na NFL.
Treinadores como Ancelotti continuam a deixar muita liberdade aos seus jogadores. Os princípios funcionam como diretrizes. Eles querem que jogadores como Vinicius Junior possam se expressar e improvisar no terço final.
Nem tudo na imaginação pode ser elaborado. Mas as poucas situações que os treinadores conseguem controlar têm de ser exploradas pelos especialistas em lances de bola parada da equipa técnica.