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Cerveja e sombreros chovem enquanto a Copa do Mundo do México decola

O relógio tinha sete minutos quando começou, cem vozes transformando-se em dezenas de milhares tornando-se uma, o ruído espalhando-se pelo Azteca como que por contágio.

As palavras soaram, ecoando dentro daquele colosso de concreto, espalhando-se pelo lábio superior e pelas ruas de Santa Úrsula abaixo. Cielito Lindo, o hino de fato da seleção mexicana, está se movimentando no melhor dos momentos. Aqui, carregado de excitação, nostalgia e cerca de 43 toneladas métricas de nervosismo no dia da estreia, ameaçou deixar você desmaiado.

“Cante e não chore”, diz o refrão, uma injunção para sorrir em meio às tristezas da vida. O futebol mexicano conheceu a sua parte, daí a ressonância. Aqui, porém, não havia motivo para ficar triste. Não mais que 10 segundos depois de começar, o refrão foi perfurado pelo gol inaugural de Julian Quinones – um pequeno momento perfeito na Copa do Mundo, como se tivesse sido concedido do alto.

Também do alto: cerveja. Choveu indiscriminadamente nos bancos traseiros. O mesmo aconteceu com um suprimento aparentemente interminável de sombreros de cartas, distribuídos antes do início do jogo – lembranças decentes, claro, mas frisbees ainda melhores. O efeito era deslumbrante, a sensação de libertação palpável. Depois de toda a expectativa, de toda a nostalgia pela herança do México na Copa do Mundo, esta ocasião poderia facilmente ter fracassado, uma festa com toque de recolher antecipado. Em vez disso, ele voou.

As cenas antes do jogo foram marcantes. Cinco horas antes do início do jogo, você mal conseguia se mover para os fãs. Você mal conseguia se mover e ponto final. Você acha que conhece o trânsito? Você não. Os engarrafamentos da Cidade do México têm seus próprios engarrafamentos, engarrafamentos no nível inicial. Para compensar, as pessoas chegaram cedo – para cantar, tirar fotos, para receber tequila na boca por um estranho com uma peruca nova.

E assim eles serpentearam, entrando e saindo dos ônibus parados, passando pelos vendedores ambulantes e pelos murais, pela fumaça e pela cacofonia, um desfile de vida humana. Eles foram cantados por bandas de mariachis. Cada segunda pessoa parecia estar fantasiada: havia lutadores de lucha libre, esqueletos, guerreiros maias. Havia um homem com máscara de cachorro, latindo. Uma trupe de bateristas martelava, sacudindo todos os baús ao alcance. O espetáculo de rua nas outras sedes da Copa do Mundo provavelmente será ótimo, mas não será isso.

Um torcedor do México em uma partida de cães vai para o jogo (Crédito: Jack Lang/The Athletic)

Dentro do estádio, enquanto os jogadores se aqueciam, era impossível não sentir a história que permeia este local. O Azteca não é o estádio que era em 1970 ou mesmo em 1986. Foi submetido a inúmeras remodelações, arrastado para a modernidade, para o bem e para o mal. No entanto, a essência permanece: aquelas imponentes escoras externas, o movimento arrogante das arquibancadas. A grande escala ainda acelera o pulso quando você entra.

Esses ossos guardam histórias: contos de Pelé, Maradona, o Jogo do Século, a Mão de Deus. Os próprios rapazes do verão mexicano – Manuel Negrete, Hugo Sanchez – foram uma grande parte da preparação deste ano. O atual treinador, Javier Aguirre, também esteve lá em 1986. Quando previu, nas vésperas deste jogo, “uma celebração que durará décadas”, não exagerou.

É tentador, olhando para as imagens antigas das duas últimas Copas do Mundo do México, atribuir parte do fascínio à tecnologia. As imagens difusas despertam a imaginação de uma forma que nenhuma câmera HD consegue. No entanto, há também uma beleza inata nos jogos de futebol no Azteca, algo difícil de definir. Talvez seja a qualidade da luz da Cidade do México – nebulosa, tímida. Talvez seja a altitude, alguma interação inexplicável de partículas. Não importa; vamos apenas chamar isso de mágica.

Este ano, o espaço para mais alguns capítulos da história Azteca é limitado. Apenas cinco jogos serão disputados aqui; todo o torneio vai para os EUA para a fase das quartas de final. Há uma sensação de frustração nisso. Para a equipe de Aguirre, isso cria uma camada adicional de obrigação: o México precisa criar memórias, garantir que esta etapa sul da Copa do Mundo não seja reduzida a uma nota de rodapé. E eles têm que fazer isso rapidamente.

Este foi um começo promissor. O México passou bem a bola. Quinones foi ameaçador o tempo todo; Erik Lira andava por aí como Scrappy Do com chuteiras; Raul Jiménez teve seu momento de êxtase pessoal. Eles deveriam, como Aguirre disse com razão depois, ter vencido por três ou quatro.

Dois, porém, foram suficientes. O suficiente para levar o México ao Grupo A. O suficiente para saciar os torcedores e mandá-los de volta para casa com o coração cheio e sorrisos no rosto. O suficiente para não prejudicar as boas vibrações que tornarão esta Copa do Mundo um pouco mais colorida, um pouco mais viva.

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