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Analisando o jogo de abertura da Copa do Mundo mais sujo que já vimos – ou foi?

Esse foi o “jogo sujo” mais limpo que a Copa do Mundo já produziu?

Os fatos são estes: o árbitro Wilton Sampaio exibiu três cartões vermelhos na vitória do México sobre a África do Sul por 2 a 0 no Estádio Azteca, na quinta-feira. Julian Quinones e Raul Jimenez marcaram ambos os lados da expulsão do sul-africano Sphephelo Sithole aos 49 minutos, quando ele se tornou o primeiro jogador em 32 anos a ser expulso na abertura da Copa do Mundo.

O companheiro de equipe de Sithole, Themba Zwane, que entrou como reserva aos 61 minutos, o seguiu até o vestiário 23 minutos depois de entrar. Zwane, de 36 anos, é o segundo jogador mais velho a ser expulso na Copa do Mundo, atrás do americano Fernando Clavijo (38 anos) contra o Brasil em 1994.

Nenhum jogo de abertura de uma Copa do Mundo tinha visto três expulsões antes (David Ramos/Getty Images)

Por incrível que pareça, ainda havia tempo para mais uma demissão. O capitão mexicano Cesar Montes recebeu ordem de marcha nos acréscimos por uma falta profissional, tornando esta a primeira partida de Copa do Mundo a ter três cartões vermelhos, superando os dois dados em 1990, quando Camarões aguentou com nove jogadores para derrotar a Argentina por 1 a 0.

Este também foi o maior número de expulsões num jogo do Campeonato do Mundo desde a infame vitória de Portugal sobre a Holanda, por 1-0, nos quartos-de-final, em 2006, num jogo conhecido como a “Batalha de Nuremberga”, depois de 12 cartões amarelos e quatro vermelhos terem sido dados pelo árbitro russo Valentin Ivanov.

Como mostra o gráfico abaixo, a abertura da Copa do Mundo de 2026 na quinta-feira continha mais cartões vermelhos do que o torneio de 1978 no total, enquanto as Copas do Mundo de 2018 e 2022 tiveram apenas quatro cada. Foram necessárias 57 partidas no Catar, há quatro anos, para que três jogadores fossem demitidos.

O que tornou os procedimentos de quinta-feira uma surpresa ainda maior foi que o jogo sofreu apenas 23 faltas. Foi um encontro de desafios desajeitados mais do que cínicos.

Compare isso com o empate de 1 a 1 entre México e Paraguai na Copa do Mundo de 1986, um jogo que teve incríveis 78 faltas em apenas 42 minutos de jogo, um recorde da Copa do Mundo.

O atual técnico do México, Javier Aguirre, foi titular naquele jogo e, na subsequente derrota de seu país nas quartas de final nos pênaltis para a Alemanha, ele foi expulso após receber dois cartões amarelos.

Agora, a equipe de 2026 de Aguirre também entrará na história disciplinar.

O recorde de 28 cartões vermelhos na Copa do Mundo de 2006 já está ameaçado? (CARL DE SOUZA/AFP via Getty Images)


Quebrando os três cartões vermelhos

A expulsão de Sithole é o cartão vermelho mais fácil de explicar.

A África do Sul, em busca de um gol, procurou avançar para o México, que depois de alguns passes poderia simplesmente servir Brian Gutierrez para abrir uma enorme lacuna entre os zagueiros. O meio-campista mexicano tem vantagem sobre Sithole, o jogador mais próximo dele.

A consciência de Gutierrez e a tentativa desajeitada de Sithole de atacar fazem com que suas pernas fiquem emaranhadas, mandando o primeiro para o chão, fora da área.

Foi visto como uma negação clara de uma oportunidade de gol (ou DOGSO), tornando-se uma decisão fácil para o árbitro Sampaio.

O cartão vermelho de Zwane, porém, foi o oposto.

O veterano meio-campista se envolveu em uma briga fora de bola com o mexicano Roberto Alvarado aos 80 minutos, que passou despercebida pelo árbitro, com a jogada terminando com um chute sul-africano à baliza.

Demorou mais 90 segundos até que Sampaio iniciasse uma corrida sinistra até o monitor ao lado do campo, após receber orientação do Árbitro Assistente de Vídeo Nicolas Gallo. Os replays na tela mostraram Zwane inicialmente segurando Alvarado…

…antes de passar a mão no rosto de Alvarado.

Isso foi considerado uma conduta violenta e Sampaio mostrou cartão vermelho a Zwane três minutos e meio após a infração original.

“O primeiro cartão vermelho, temos que aceitá-lo. O segundo podemos discutir”, disse o técnico da África do Sul, Hugo Broos, à mídia após o jogo. “O jogador mexicano bloqueou o meu jogador. Acho que foi um pouco fraco.”

O cartão vermelho de Montes, porém, foi o mais discutível de todos.

Apesar de estar reduzida a nove jogadores, a África do Sul encontrou-se numa situação promissora no contra-ataque no segundo minuto dos acréscimos, liderada pelo lateral Khuliso Mudau derrubando Montes na ala direita.

Mudau passa a bola para Montes, que tenta desarmar.

Mas o capitão do México não recebe nenhuma bola e sim Mudau, que cai no chão, provocando o terceiro cartão vermelho da noite.

A primeira das duas imagens acima suscitou maior polêmica em torno da expulsão de Montes, já que Mudau parecia estar fugindo do gol. Mas Sampaio viu isso como um DOGSO, como fez com a falta de Sithole, e o VAR manteve a chamada em campo sem a necessidade de consultar o monitor do lado do campo.

A matemática básica nos diz que manter uma taxa de três cartões vermelhos por jogo resultará em 312 cartões vermelhos em todo o torneio.

É claro que isso não vai acontecer, mas o recorde do torneio de 28 cartões vermelhos em 2006 está sob grave ameaça, faltando mais de 100 jogos para disputar na Copa do Mundo de 2026.

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